quarta-feira, 31 de maio de 2017

Três de "Os cinquenta poemas do ladrão de amor"



Mesmo agora     assalta-me a recordação
Desses olhos de corça assustada
Dessa voz trémula     das lágrimas que lhe invadiam
A face     da cabeça vergada sob o peso da amargura
Quando escutou a minha sentença




Mesmo agora     por mais que me esforce
Não me recordo de alguma vez ter contemplado
Um rosto como o seu     A sua beleza
Eclipsa a da deusa do amor e a da lua




Mesmo agora     o meu coração sofre noite
E dia     por nunca mais poder voltar
A ver     nem que seja por um instante
Esse rosto belo como a lua cheia
Cuja frescura faz empalidecer os jasmins






Bilhana Kavi (séc. XI)






(Versões de Jorge Sousa Braga in "Os Cinquenta Poemas do Amor Furtivo (e outros poemas eróticos da Índia antiga)" - Assírio & Alvim, 2004)










("Lonely Lady on Terrace", Virahini Nayika)




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